quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Iluminação

Qual a próxima grande mudança na indústria da Iluminação?

A busca sempre por maior eficiência energética e a preocupação com a sustentabilidade tem feito a indústria da iluminação caminhar a passos cada vez mais rápidos.

Após o aparecimento dos LEDs, a expectativa para o surgimento das novidades ocupa a mente de vários profissionais. Alguns arriscam dizer que com a alta do preço do Petróleo e a elevação dos custos de transporte de produtos provenientes da China, a fabricação de lâmpadas e equipamentos auxiliares se voltará com mais força para o Ocidente. De acordo com o Birmingham Post em 30/06/2011, a NVC, grande fabricante chinesa, abriu uma fábrica em Birmingham ainda com maior capacidade operacional do que a já existente em Hollymoor Point, em Rubery, fortalecendo ainda mais uma já bem sucedida parceria entre Inglaterra e China.

Independente de posicionamentos favoráveis ou não, o mercado chinês da indústria de iluminação está se expandindo e deixando definitivamente sua marca, tanto na fabricação de lâmpadas e equipamentos como no estímulo e divulgação da profissão de lighting designer.

Basta dar uma olhada na entrevista concedida a Maria Clara de Maio, titular da revista Lume Arquitetura que é referência em iluminação no Brasil, pelo presidente da CLDA (Chinese Lighting Design Association), Lear Hsieh na edição de número 48 e a dimensão que vem tomando a Guangzhou International Lighting Exhibition

Ainda em entrevista para Maria Clara de Maio, em outra edição da Lume Arquitetura, um dos maiores especialistas em luminotecnia, o engenheiro Peter Ngai aponta o OLED como a próxima onda.
Mas então surge a Eden Park Illumination, (http://www.edenpark.com), filiada ao Laboratory of Optical Physics and Engineering at the University of Illinois, com suas microlâmpadas de plasma. Elas são livres de mercúrio e oferecem uma estrutura ultra-fina, flexível, robusta e de longa duração.
Para os profissionais da área, o mais importante é estar aberto às novidades, aceitar novos conceitos e novas tecnologias, estudar e pesquisar muito.

Na década de 60, os produtos japoneses eram uma referência a tudo que se queria classificar como de baixa qualidade e hoje estão no topo em vários setores da economia.

É preciso estar aberto ao novo, deixar preconceitos e idéias pré-determinadas e sempre buscar o melhor que o mercado pode oferecer.
Fonte: Fórum da Construção

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Sustentabilidade

Compacta e de baixo custo, a WakaWaka tem uma placa fotovoltaica para captar a energia do Sol e diodos emissores de luz, o famoso LED, para iluminar. Como mostra o vídeo abaixo, ela pode ser acoplada a uma garrafa PET e, assim, substituir os lampiões de querosene, comumente usado em regiões de vulnerabilidade social, mas que são tóxicos e podem causar asfixias, além de incêndios e explosões.

http://www.wakawakalight.com/

terça-feira, 5 de julho de 2011

CASA ARRUMADA

Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos, netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sustentabilidade é pura bobagem

Por Lourenço Gimenes  (FGMF)

O título é mesmo para chocar e chamar a atenção. Se você começou a ler este texto por indignação, ótimo sinal.

Não, não creio que sustentabilidade seja, de fato, uma bobagem. Porém, buscarei mostrar nas próximas linhas que não acredito no enfoque dado ao termo, hoje, no Brasil. Acredito que cada um de nós, por mais distante que possa estar da discussão, observa com concomitante entusiasmo e desconfiança a celebração da ‘sustentabilidade’ que hoje toma conta da mídia.

Digo mídia, e não arquitetura, por duas razões. A primeira é que acho que o fenômeno é muito mais amplo que a construção civil – ele é quase onipresente. A ‘moda’ da sustentabilidade invadiu embalagens de papel higiênico, cadernos, faróis de automóveis e até solas de tênis. Sustentabilidade está em todo lugar, e principalmente onde não deveria estar: qualquer empresa, hoje, inventa um carimbo próprio para dizer que o seu produto é sustentável, mesmo que não o seja – o importante, afinal de contas, é vender a idéia da responsabilidade e, de preferência, cobrar mais caro pelo mesmo produto ruim. O exemplo mais interessante de tolice que já vi sobre o tema saltou-me aos olhos ao folhear uma revista do setor de serviços prediais. Numa propaganda de página inteira, alardeava-se a oferta de ‘serviços sustentáveis’. Não sei o que são os tais serviços sustentáveis, e suspeito que o anunciante faça ainda menos idéia do que eu. Ao ler o restante do anúncio, descobri que a empresa oferecia serviços terceirizados de portaria, segurança, manobrista e copeira para empresas. Até hoje me pergunto se um porteiro sustentável veste-se de verde, se o manobrista só estaciona carros a álcool ou se copeira só serve café orgânico. Realmente não faço a menor idéia.

A segunda razão é que eu acho que a boa arquitetura já nasce sustentável. Ou seja, é até descabido analisar arquitetura sob esse aspecto. Ela não precisa de atestado, propaganda e nem diferenciais que não a sua própria qualidade – sustentabilidade é premissa básica.

Como toda moda, por mais que gostemos, devemos olhá-la sempre com alguma cautela. Na arquitetura, o discurso predominante de sustentabilidade tem dois vetores principais: enquanto o primeiro estabelece o instrumental como o próprio partido, o segundo o insere à força num projeto fraco. Explicando melhor: ou se tenta fazer uma construção baseada num manual de ‘boas práticas’ ambientais, privilegiando os cálculos, simulações e especificações de materiais ecologicamente corretos, ou se faz um edifício perfeitamente ordinário, pasteurizado na caldeira do mercado, e se gasta uma quantidade enorme de dinheiro para corrigir o desempenho do edifício.

Deslumbrados com softwares fantásticos, estudos de insolação e ventilação, materiais tecnológicos ou simplesmente muito naturais, os arquitetos partidários do primeiro vetor passam por cima de um aspecto fundamental da arquitetura – a sua finalidade. O escopo da arquitetura é e sempre será criar ESPAÇOS. Espaços agradáveis, adequados e funcionais para o uso humano. A

arquitetura deve elevar o espírito, como diriam os grandes mestres. Fazer palpitar a alma e, ao mesmo tempo, oferecer uma solução prática para o programa solicitado. Vi poucos exemplos de uso consistente do instrumental técnico pelo simples fato de que os arquitetos que dele se servem esquecem do óbvio: instrumentos não passam meios – jamais serão a finalidade. O foco, portanto, está desviado.

No segundo caso, que considero mais grave, a questão normalmente se estrutura em volta de um interesse mercadológico tolo. Pode também acontecer de ser pura ingenuidade, mas há exemplos de espetacular ignorância – são prédios com fachada toda em vidro que usam ar-condicionado dito ‘ecológico’, ou que gastam uma verba injustificada em equipamentos diversos para compensar outras irresponsabilidades projetuais diversas. Má implantação, orientação, relação com o entorno, uso equivocado de materiais e técnicas parecem repetir-se incansavelmente na paisagem urbana.

Olhando para trás, a boa arquitetura brasileira modernista já incorporava conceitos muito simples e eficientes, naturalmente integrados à própria arquitetura. Aquela arquitetura era cuidadosa na forma como controlava o sol tropical, provia iluminação e ventilação naturais, criava espaços generosos onde se fundiam o edifício e o entorno, em meio a jardins belíssimos com espécies locais e generosamente permeáveis. Ao mesmo tempo, trazia para a arquitetura a expressão da própria arte de um povo, ao desenvolver uma linguagem própria e também ao acolher na própria construção manifestações artísticas de outras disciplinas (o saudoso Athos Bulcão, que recentemente nos deixou, é um exemplo). É claro que havia também a arquitetura modernista ruim, dura, ineficiente, até sem emoção. Mas será que para afirmarmos o ‘progresso’ e marcarmos a nossa participação nessa história precisamos nos livrar até mesmo das boas lições do passado? Penso em quanto tempo e oportunidades perdemos.

A boa arquitetura, como já disse, nasce sustentável. Não é o sistema de coleta de água que a faz merecer o título. A preocupação com o ‘tripé social-econômico-ambiental’ deve fazer parte dos mecanismos de criação de um espaço melhor, mais eficiente, correto e, sempre, emocionante. Não precisamos fazer uma casa na árvore ou insistir que um prédio de taipa é ambientalmente correto. A maior parte da população mundial já vive em cidades, dispomos de tecnologias avançadas, somos capazes de reciclar, temos indústrias competentes – mas também não precisamos passar por cima da boa concepção, só porque temos aparatos eletrônicos para corrigir a preguiça de quem se acomoda a fórmulas de projeto fácil. E não podemos ignorar que o ‘tripé’ envolve desenvolvimento e inclusão social, capacitação de mão-de-obra e educação, assim como a desejada economia de recursos nos alerta para o limite entre o voluntarismo formal e a inconseqüência projetual. Prédio sustentável que custa o dobro do convencional não é sustentável.

Sinto falta do erro – o erro bom. Sinto falta do ensaio. Sinto falta do espírito questionador que, sabendo aonde quer chegar, arrisca soluções inusitadas, inovadoras, utiliza o projeto como sua própria pesquisa. Precisamos desenvolver novas fórmulas, ainda que aprendendo com o passado. Precisamos de uma nova linguagem que signifique toda essa preocupação.

Precisamos de boa arquitetura. Isso que chamam de sustentabilidade por aí, em geral, é pura bobagem.